TIOZÃO PERFIL: COM VAGNER MACIEL - A LENDA VIVA DO COSPLAY NACIONAL.
- Equipe Fala Tiozão Nerd
- 8 de set. de 2016
- 7 min de leitura

Quem nunca pensou em ser ou viver nem que fosse por um dia aquele personagem de cinema, desenho, seriado, game, quadrinho, ou outra mídia? Quem nunca sonhou em ser aquele herói ou heroína?
E se você pudesse transformar isso em realidade?
Bem-vindo ao mundo do cosplay!
Cosplay (コスプレ, Kosupure) é a abreviação de costume play, ou seja, é o ato de se fantasiar de algum personagem real ou da ficção tentando dar vida ao mesmo, interpretando-o. A arte de se transformar em um personagem, assim como o teatro.
As cosplayers são artistas contemporâneos da sociedade que fazem isso por hobby ou profissionalmente. Isso mesmo que você leu, profissionalmente sim. Ser um modelo cosplayer, participar de torneios ou ser um cosmaker (produzir os trajes, acessórios e equipamentos) pode sim render uma graninha.
E agora, o Fala Tiozão Nerd traz a você uma entrevista exclusiva com Wagner Maciel um dos maiores cosplayers e cosmakers do Brasil.
Wagner, Como começou esse trabalho?
Então, a mais ou menos seis a sete anos atrás eu comecei a ter acesso a alguns vídeos na internet. As pessoas começaram a pulicar muitos vídeos sobre tokusatsu no YouTube e em outros sites. Com isso comecei a ter novamente acesso às series da época da Rede Manchete e a séries novas. Pude assisti o Kamen Rider Black e o Kamen Rider Decade.
Comprei alguns DVDs do Metalder, que eu sou fã e comecei a assisti.
Um dia eu assisti na internet um cara fazendo um molde de gesso da própria cabeça. Ele usou isso para fazer o capacete de um Super Sentei, ou Power Rager, encima desse molde de gesso. Aí eu olhei aquilo ali e pensei, legal, dá pra eu fazer um capacete desse aí, então resolvi encarar o desafio de fazer um capacete desses. Comecei tentando fazer o capacete do Metalder. Mas na época, como eu nunca havia feito nada desse tipo antes, né, então obviamente não deu certo.
Pesquisando um pouco mais sobre técnicas pela internet, eu decidi tentar fazer o capacete do Kamen Rider Black, e sem recurso nenhum. Eu lixava fibra de vidro e a massa plástica na mão mesmo. Eu consegui fazer o meu primeiro capacete.
Certo, e foi daí que você resolveu fazer um Cosplay do Black?
Na época eu comecei a pesquisar muito sobre esse lance de cosplay, tanto de tokusatsu quanto de outros gêneros. Aí achei um pessoal na internet e acabei fazendo amizade com eles. E tinha um rapaz que já havia feito um cosplay do Jaspion, tinha até uns vídeos desse cosplayer na época. Troquei uma ideia com ele pelo Orkut e ele me disse: “Pocha, seu capacete ficou legal. Por que você não tenta fazer a roupa?”. Daí pensei, legal, vou fazer essa roupa.
Comecei a produzir o meu primeiro cosplay. Usei o capacete e produzi o traje com E.V.A., espuma, couro sintético e por ai vai.
E como foi ser o Black por um dia?
Eu resolvi ir a um evento de anime, eu nunca havia ido num evento desses antes. Foi a minha primeira vez num evento de anime e também minha primeira vez como cosplayer. Eu fui morrendo de medo de pagar mico ou alguma coisa desse tipo. E por incrível que pareça, apesar de não ter sido um cosplay bom, já que foi a primeira vez que eu fiz, e como eu tomei muito cuidado nos acabamentos do traje, o pessoal gostou demais. Nunca tinha tirado tanta foto igual nesse dia. Quando sai do vestiário, todo mundo pedia pra tirar foto por que ninguém havia visto um cosplay desse tipo no evento. E assim começou a jornada.


Houve algum outro personagem que você tenha feito que levasse o público a loucura?
Então, até hoje eu fiz quatro cosplays. Eu fiz o Kamen Rider Black, que eu fui evoluindo ele até chegar ao que eu tenho hoje, eu fiz o Red Mask, fiz o Kamen Rider Joker (da série kamen Rider W), e agora eu fiz o Metalder. Quando eu fiz o Red Mask não teve aquele empaqueto porque tem aquele lance da galera mais nova chamar de Power Ranger. Muitos nem sabem que a serie Power Rager é na verdade uma cópia dos Super Sentais japoneses.
O Kamen Rider Joker também não teve muito sucesso. A maioria do público é mais fã de anime. Muitos ainda não conhecem o gênero tokusatsu, pelo menos aqui em Minas Gerais, onde eu moro.
Agora que eu fiz o Metalder e comecei a participar de eventos em São Paulo, o Metalder deu um empaqueto muito legal. Dos trabalhos que fiz até hoje, os que mais chamaram atenção mesmo foram o Kamen Rider Black e o Metalder. E na verdade, o Black como foi o meu primeiro, ele me consagrou nesse meio. E até então, ninguém havia feito o Metalder, e eu consegui fazê-lo numa qualidade bacana, superando um pouco a expectativa da galera.

Muita gente tem procurado fazer cosplay de anime e de games, você já recebeu propostas para fazer algum traje inspirado em game, anime, filme? Ou você só trabalha com Tokusatsu?
Já recebi propostas sim, principalmente de personagens de cinema. Como a armadura do Homem de Ferro, o escudo do Capitão America. Tem até um rapaz que me pediu pra fazer o capacete do Comandante Cobra do G.I. Joe. Mas ainda não produzi nada fora do tokusatsu. Eu gostaria muito de fazer as armaduras do filme Pacific Rising (Círculo de Fogo), elas são bem legais.
Então você também produz apenas acessórios, certo?
Então, basicamente estou voltado mais pro cosplay mesmo, principalmente pra venda dos capacetes. Pois fazer uma armadura pra venda é um pouco complicado porque não dá pra produzir uma armadura, tirar a forma dela e vender pra todo mundo. Cada pessoa tem uma estatura e medidas diferentes, então tenho que fazer uma armadura a partir do zero pra cada pessoa. E isso demanda muito tempo em apenas uma peça. E com o custo muito alto, às vezes a pessoa não que pagar aquele valor. E também não compensa fazer por um custo muito baixo também. É muito trabalho, às vezes chegando a serem meses. Nesse meio dos toksatsus as pessoas querem mais um boneco, uma figura de ação, ou a armadura completa. É difícil ter uma pessoa que queira apenas o busto de um personagem.
Muitas vezes a pessoa adquire produtos para brincar mesmo. Ainda que ela não venha a querer a armadura, ela vai querer o capacete pra pode se divertir. Por isso sou mais voltado a faze os capacetes mesmo.
Viver com arte no nosso país é mito difícil. Há muito preconceito, principalmente para com a cultura Nerd/Otaku. Como é viver como cosmaker no Brasil?
Até que viver como cosmaker não está sendo difícil. Mas assim, como qualquer outro ramo de trabalho supérfluo, quando tem crise, é uma das primeiras coisas que a galera corta. Mas se você tiver um trabalho legal e um atendimento legal, tem trabalho sim. Tanto que tem muita gente que vive apenas disso. Tem até pessoas novas que nunca tiveram seu primeiro emprego e que começaram como cosplayer e que vivem como cosmaker hoje em dia. Mas tudo depende de como você vai entrar no mercado. Cosmaker é uma área grande, tem gente que se especializa em roupas, tem gente que se especializam armas e acessórios, tem gente que trabalha com E.V.A, tem gente que trabalha com fibra, que é o meu caso. Tem muitas áreas pra se trabalhar como cosmaker.
Na minha área mesmo, que é mais voltado para tokusatsu, apareceram muitas pessoas boas, mas que não souberam lidar com o público. Tem que buscar por humildade e dar ao cliente um bom atendimento. E é o que mais tem sido feito ao contraio por muita gente nesse meio. E isso é ruim para um cosmaker. Não custa nada ser sincero com o cliente e falar que houve atrasos, que o prazo está apertado, que está tendo dificuldade. Tratar as pessoas com transparência. Ainda mais nesses tempos de crise. Um bom atendimento faz seus clientes te indicarem para outras pessoas. Eu mesmo já fui indicado várias vezes. Isso é valido não só para cosmaker, mas para qualquer outra área.
Qual foi o traje mais difícil que você já fez até agora?
Então, eu fiz dois trabalhos pra fora, que no caso foram peitorais e capacetes do Kamen Rider Wizard. Um cliente encomendou e outro rapaz quis também, acabou que eu tive que fazer dois. E fazer o efeito de pedra preciosa da frente do capacete e do peitoral não foi fácil. E o Metalder, que também é cheio de detalhes.
Todo artista deixa a sua marca, um trabalho que pode ser deixado como um legado. Que traje você sonha em um dia produzir?
O personagem que eu mais gostaria de fazer era o Matalder. Esse era o meu sonho de consumo. Eu posso até dar uma mexida nele para deixar ainda mais fiel. Eu até consegui uma cópia tirada do capacete original, meio detonada, mas é o original. Que é o sonho de todo fã ter algo original do seu personagem favorito. E como minha armadura está autografada pelo Takumi Tsutsui (Jiraya) e pelo Hiroshi tokoro (Shouhei Kusaka, nome artístico do ator que interpretou Jiban), naquele peitoral e capacete eu não mexeria, no máximo faria réplicas deles.
Agora, como meta, eu gostaria de fazer o traje de um personagem próprio. Já até tem um traje, mas estou criando um novo, mais militar, até porque o personagem foi inspirado em Kamen Rider e na 2ª Guerra Mundial. Também tenho vontade de fazer o traje de algum personagem de cinema. Mais a meta é investir no meu personagem e o fazer crescer.
Com o grande crescimento no mercado de quadrinhos no Brasil e de vários atristas nacionais serem respeitadíssimos no exterior, você já pensou na possibilidade de levar o seu personagem para a mídia impressa ou digital?
A ideia é muito boa, eu já pensei nisso, mais ainda não tive tempo de está olhando isso direito e ter pessoas pra estar produzindo. Teria que criar uma história certa, definitiva e ver quem poderia adaptar a história para o mangá. E seria bacana ver um personagem parecido com Kamen Rider num mangá nacional. Mas é muito difícil, pois esse meio não tem grandes patrocinadores. Eu não sou muito de esperar que surja um investidor, então eu busco produzir o traje e ver quem pode vir a ajudar, cada um em sua área, no final, dependendo do resultado, poderíamos, ou não, conseguir patrocínio. Mas a ideia é muito boa sim.

Bom Wagner, muito obrigado pela atenção, deixe um recado pros Nerds/Otakus.
O recado que eu deixo pra galera aí é que continuem fazendo os trabalhos.
Quem é cosplayer, que possa continuar levando essa cultura pra frente, isso dá vida aos eventos. E para os cosmakers, que tenham mais união e honestidade um com o outro, que possam se unir mais e um grande abraço a todos.
O contato com o Wagner Marciel é através do seu faceboock
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